TESTOSTERONA

Sempre pensei que a testosterona fosse responsável pela agressividade dos animais e dos humanos. O texto abaixo mostra que não é bem assim, mas tem a ver. 
 

 

 

 

Notícias

02 de outubro de 2007
A testosterona sozinha não causa violência
O hormônio não torna os homens necessariamente violentos, mas faz com que busquem domínio social
por Christopher Mims
 
Incentivo à agressão: ao contrário da opinião popular, o hormônio masculino testosterona não é exclusivamente responsável pela agressividade
Todo mundo já ouviu dizer que a testosterona, um hormônio estereotipicamente masculino, está intimamente ligado à violência. As evidências estão por toda a parte, como levantadores de peso que tomam doses exageradas de esteróides anabólicos para sentir uma “fúria” extra na hora de levantar sua carga.

Mas qual é a natureza dessa relação? Se um homem normal receber uma dose de testosterona, irá se transformar no incrível Hulk? Homens violentos têm níveis mais altos do hormônio que os mais dóceis?

“Historicamente, os pesquisadores esperavam que um aumento nos níveis de testosterona levasse a uma agressividade maior, mas isso nunca aconteceu realmente”, afirma Frank McAndrew, professor de psicologia no Knox College em Galesburg, Illinois, Estados Unidos. De fato, as pesquisas mais recentes sobre a relação entre testosterona e agressividade indicam que a ligação entre elas é fraca e que, quando a agressão é definida como simples violência física, essa ligação quase desaparece.
“O que psicólogos e psiquiatras dizem é que a testosterona possui um efeito facilitador sobre a agressão”, comenta Melvin Konner, antropólogo da Emory University e autor de The Tangled Wing: Biological Constraints on the Human Spirit. “Não há uma relação direta em que se pode obter agressividade com uma dose de testosterona.”

Experimentos com castração demonstram que o hormônio é necessário para a violência, mas outra pesquisa revelou que somente a testosterona não é suficiente – ou seja, o hormônio não seria o perpetrador, mas um cúmplice, e que às vezes não está muito longe da cena do crime.

Por exemplo: independentemente do sexo, a maioria dos prisioneiros violentos possuem níveis mais altos de testosterona que seus pares mais dóceis. No entanto, cientistas discutem se essa violência não seria apenas uma manifestação de um desejo muito mais biológica e reprodutivamente saliente por domínio.

“Já foi sugerido que os comportamentos anti-sociais relacionados a níveis altos de testosterona seriam uma maneira de manter a dominância nesses grupos”, conta Robert Josephs, da University of Texas em Austin. Em outras palavras, se os pesquisadores estudassem outros tipos de pessoas, como os ricos e famosos, por exemplo, poderiam descobrir que a testosterona não está ligada à violência, mas ao fato de quem dirige o carro mais bacana ou tem o gramado mais bonito. Como Josephs disse, “Talvez atacar o vizinho com uma pá funcione na penitenciária, mas não contribuiria para seu status em um bairro de ricos”.
O psicólogo James Dabbs, da Georgia State University em Atlanta, construiu sua carreira conduzindo estudos que relacionavam a testosterona a qualquer tipo de estilo de vida imaginável. Em seu livro Heroes, Rogues and Lovers, ele ressalta que atletas, atores, operários e presidiários tendem a apresentar níveis mais altos do hormônio que balconistas, intelectuais e administradores.

Porém, Dabbs não revela se esta correlação foi a causa ou um efeito do ambiente em que esses homens estão inseridos. Assim se chega a um impasse: homens com níveis altos de testosterona têm uma probabilidade maior de se tornarem criminosos violentos, ou ser um criminoso violento aumenta os níveis de testosterona em um homem?

Ninguém sabe a resposta ao certo, mas um número cada vez maior de evidências sugere que a testosterona seria mais um resultado da violência que sua causa. Na verdade, tanto ganhar um jogo de futebol quanto uma partida de xadrez podem elevar os níveis desse hormônio. (Por outro lado, perder um jogo de futebol, ficar mais velho e se tornar obeso reduzem esses níveis).

Para Peter Gray, da University of Nevada em Las Vegas – cujo trabalho revela que o casamento e a paternidade diminuem os níveis de testosterona –, “Há evidências em humanos de que, assim como nos animais, esse hormônio é responsável pela competição entre machos”.
Em um experimento sobre diferenças biológicas entre habitantes do Norte e do Sul dos Estados Unidos, um dos voluntários dos pesquisadores da University of Michigan em Ann Arbor “acidentalmente” tropeçou em outros participantes e insultou tanto os homens criados no Sul quanto no Norte do país. Os cientistas resolveram levar em conta o fato de os homens do Sul serem criados em uma “cultura de honra”, em que respostas agressivas a xingamentos são culturalmente apropriadas, e os resultados revelaram que os eles não eram só mais propensos a responder com agressividade que os homens do Norte, mas seus níveis de testosterona também subiam como resultado disso. Por outro lado, os homens do Norte eram menos propensos a apresentar uma elevação nos níveis desse hormônio.

“Pelo o que podemos dizer até agora, a testosterona é gerada para preparar o organismo para responder a competição e/ou desafios à situação de alguém”, observa McAndrew. “Qualquer estímulo ou evento que sinaliza uma dessas coisas pode desencadear uma elevação nos níveis do hormônio”.

Isso faz sentido – a curto prazo, a testosterona ajuda tanto homens quanto mulheres a se tornarem maiores, mais fortes e energéticos, características úteis para se vencer uma competição física ou mental. O hormônio também é responsável pela libido em ambos os sexos, e se pesquisadores como Josephs estiverem corretos, instiga nosso desejo por domínio social, uma das maneiras pelas quais os humanos decidem quem pode “acasalar” com quem.

Discutivelmente, a fraca correlação entre testosterona e violência nos dá uma razão para nos tornarmos otimistas em relação à raça humana: enquanto os animais guerreiam por parceiros como resultado das alterações sazonais de testosterona e outros hormônios, os humanos descobriram outras maneiras de estabelecer suas relações. Isso não quer dizer que não possamos nos adaptar rapidamente às manifestações modernas de nosso passado violento: a pesquisa de McAndrews demonstrou que uma maneira garantida de elevar os níveis de testosterona de um homem é colocar uma arma em sua mão.
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