lavar pratos

LAVAR PRATOS

 

 

 

 

        Lavando pratos, reflito com mais facilidade. Durante esta meia hora, sinto-me lúcido e não me disperso. Sigo as idéias que vão surgindo sobre o assunto e por vezes chego a conclusões importantes para mim. Tarefa prosaica, no entanto rica em significado simbólico. Ali estou limpando o que restou dos alimentos indispensáveis à vida. Comendo, restauro minhas energias, porém não devo desprezar a higiene, essencial para a próxima refeição.

      A leitura de jornais, revistas e livros traz informações e idéias à minha mente. Leio por prazer e porque preciso para enriquecer meu pobre pensamento. Após, ou mesmo durante a leitura, sinto necessidade de criticar o que leio, não aceito tudo. Descarto o que não me parece bom ou não me serve. Dessa higiene, tampouco abro mão.

      Estas idéias vieram-me à cabeça justamente enquanto lavava os pratos do almoço deste domingo. Recomendo aos amigos, se é que já não o fazem, tomar para si esta responsabilidade. Suas companheiras vão gostar da mudança e contarão para as amigas como você é solidário. Tudo isso é lucro. Você não precisa dizer que aquela tarefa lhe dá oportunidade a ricas reflexões; que é o momento mais propício ao refinamento de suas idéias; que o tempo passa sem você sentir. Não faça daquela meia hora algo importante em si, não, não é. O que vale é o segredo: em silêncio, você usa a água, a esponja e o sabão – todo mundo vê. Mas é no seu cérebro que residem a liberdade e a capacidade de pensar. Não reprima sua imaginação, deixe que ela navegue ao sabor do vento ou das bolhas de sabão. Em outras palavras, não lave pratos por solidariedade. Faça isto como um exercício de concentração.