Blog de César Garcia

Crônicas


 
 

SOBRE O AMOR

SOBRE O AMOR

 

 

Alguém se arrisca? Há milhares de anos as tentativas de definir o amor se sucedem. Filósofos, poetas, romancistas, psicólogos, psicanalistas, até neurologistas e, mais que todos, os enamorados, aqueles convencidos de que amam. Ouso perguntar: a mãe ama o filho? O filho ama a mãe? O homem ama a mulher? A mulher ama o homem? O amor está sempre misturado com desejo, insegurança, medo, interesse, sadismo. Às vezes o sujeito não sabe: amo ou não amo? Que sentimento é esse que deixa a pessoa em dúvida? Ninguém tem dúvida se está com raiva, tristeza ou ódio. Fica difícil dizer o que é o amor. Talvez por isso mesmo seja assunto eterno. Sempre haverá produção de poemas, contos, crônicas, romances, novelas, ensaios sobre o amor. Fala-se até do amor a si mesmo e do amor a Deus. Coisas tão distintas têm algo em comum? Ainda que de modo apenas metafórico, também se fala do amor entre os animais, pode? O amor está ao alcance de todos, ou é “privilégio de maduros” como disse Drummond? A amizade entre dois homens é amor? Só é amor se houver desejo?

 

 

Alain Miller: “Ama-se aquele ou aquela que conserva a resposta, ou uma resposta, à nossa questão ‘quem sou eu’?” Isto serve para qualquer tipo de amor?



Escrito por César Garcia às 12h06
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lavar pratos

LAVAR PRATOS

 

 

 

 

        Lavando pratos, reflito com mais facilidade. Durante esta meia hora, sinto-me lúcido e não me disperso. Sigo as idéias que vão surgindo sobre o assunto e por vezes chego a conclusões importantes para mim. Tarefa prosaica, no entanto rica em significado simbólico. Ali estou limpando o que restou dos alimentos indispensáveis à vida. Comendo, restauro minhas energias, porém não devo desprezar a higiene, essencial para a próxima refeição.

      A leitura de jornais, revistas e livros traz informações e idéias à minha mente. Leio por prazer e porque preciso para enriquecer meu pobre pensamento. Após, ou mesmo durante a leitura, sinto necessidade de criticar o que leio, não aceito tudo. Descarto o que não me parece bom ou não me serve. Dessa higiene, tampouco abro mão.

      Estas idéias vieram-me à cabeça justamente enquanto lavava os pratos do almoço deste domingo. Recomendo aos amigos, se é que já não o fazem, tomar para si esta responsabilidade. Suas companheiras vão gostar da mudança e contarão para as amigas como você é solidário. Tudo isso é lucro. Você não precisa dizer que aquela tarefa lhe dá oportunidade a ricas reflexões; que é o momento mais propício ao refinamento de suas idéias; que o tempo passa sem você sentir. Não faça daquela meia hora algo importante em si, não, não é. O que vale é o segredo: em silêncio, você usa a água, a esponja e o sabão – todo mundo vê. Mas é no seu cérebro que residem a liberdade e a capacidade de pensar. Não reprima sua imaginação, deixe que ela navegue ao sabor do vento ou das bolhas de sabão. Em outras palavras, não lave pratos por solidariedade. Faça isto como um exercício de concentração.



Escrito por César Garcia às 12h44
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SINOS DA AGONIA

Escritor Autran Dourado morre aos 86 anos no Rio

Folha S. Paulo - 30/09/2012 - O romancista mineiro Autran Dourado, autor de "Ópera dos Mortos" (1967), morreu aos 86 anos, por volta das 7h30 deste domingo (30), em sua casa, em Botafogo, zona sul do Rio. Segundo familiares, ele sofria de problemas respiratórios crônicos e teve uma hemorragia estomacal pela manhã. Dourado havia ficado internado por cerca de cinco meses no Hospital São Lucas, em Copacabana, na zona sul do Rio, para tratamento de problemas respiratórios, segundo a família. Teve alta há dois meses e, desde então, estava em casa. O escritor deixa a mulher, Lúcia Campos, com quem foi casado por mais de 60 anos, quatro filhos, dez netos e dois bisnetos.

Esta notícia da Folha de São Paulo me lembrou a leitura de OS SINOS DA AGONIA  na oficina de Raimundo Carrero em 2006. A estrutura do romance me obrigou a várias leituras para poder compreendê-lo e as discussões na oficina foram acaloradas. Depois, li outros livros de Autran Dourado, mas aquele marcou o início do meu esforço para entender a complexidade do texto litérário. Autran fazia plantas, desenhos, para escrever seus romances.  Era um mestre. Devo a muita gente, inclusive a ele, a coragem de escrever e publicar.

 



Escrito por César Garcia às 11h39
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SARAMAGO É BLOGUEIRO

O livro O CADERNO, de José Saramago, contém apenas os textos publicados em seu blog entre setembro de 2008 e março de 2009. Elogia Lula, Obama, e mete o cacete nas religiões e na igreja católica. Nunca é demais.



Escrito por César Garcia às 13h36
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NATAL

Nasceu em Fortaleza a revista literária PARA MAMÍFEROS. Ótima qualidade em forma e conteúdo. Endereço eletrônico paramamiferos@gmail.com

Uma pequena amostra:

 

                             UM GATO

Meio de louça

meio de sombra

imóvel sobre si mesmo

o objeto de carne e espera

espera que a tarde se vá

de seus olhos

de tédio e sono.

 

               Poema de Carlos Nóbrega

 

 



Escrito por César Garcia às 13h24
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É O QUE EU PENSO

Gosto da FLIPORTO. Bons momentos, bons encontros, boas palestras. A praia, pela manhã, os bares, à noite, e os shows. Este  ano só pude assistir as palestras do sábado. Aí veio meu único desgosto: não se deve convidar ninguém para falar durante dez minutos, muito menos quando se trata de uma pessoa de destaque. Quem veio da Colômbia deve ter gostado da oportunidade de conhecer Porto de Galinhas, ter contacto com outros escritores etc. Mas, trazer Luís Costa Lima do Rio de Janeiro para expor seja lá o que for em dez minutos, não me parece sensato. Devia falar a tarde toda, o homem tem o que dizer. Pela cara dele, achei que ele não gostou. O mesmo deve ter acontecido com outros.



Escrito por César Garcia às 22h52
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TESTOSTERONA

Sempre pensei que a testosterona fosse responsável pela agressividade dos animais e dos humanos. O texto abaixo mostra que não é bem assim, mas tem a ver. 
 

 

 

 

Notícias

02 de outubro de 2007
A testosterona sozinha não causa violência
O hormônio não torna os homens necessariamente violentos, mas faz com que busquem domínio social
por Christopher Mims
 
Incentivo à agressão: ao contrário da opinião popular, o hormônio masculino testosterona não é exclusivamente responsável pela agressividade
Todo mundo já ouviu dizer que a testosterona, um hormônio estereotipicamente masculino, está intimamente ligado à violência. As evidências estão por toda a parte, como levantadores de peso que tomam doses exageradas de esteróides anabólicos para sentir uma “fúria” extra na hora de levantar sua carga.

Mas qual é a natureza dessa relação? Se um homem normal receber uma dose de testosterona, irá se transformar no incrível Hulk? Homens violentos têm níveis mais altos do hormônio que os mais dóceis?

“Historicamente, os pesquisadores esperavam que um aumento nos níveis de testosterona levasse a uma agressividade maior, mas isso nunca aconteceu realmente”, afirma Frank McAndrew, professor de psicologia no Knox College em Galesburg, Illinois, Estados Unidos. De fato, as pesquisas mais recentes sobre a relação entre testosterona e agressividade indicam que a ligação entre elas é fraca e que, quando a agressão é definida como simples violência física, essa ligação quase desaparece.
“O que psicólogos e psiquiatras dizem é que a testosterona possui um efeito facilitador sobre a agressão”, comenta Melvin Konner, antropólogo da Emory University e autor de The Tangled Wing: Biological Constraints on the Human Spirit. “Não há uma relação direta em que se pode obter agressividade com uma dose de testosterona.”

Experimentos com castração demonstram que o hormônio é necessário para a violência, mas outra pesquisa revelou que somente a testosterona não é suficiente – ou seja, o hormônio não seria o perpetrador, mas um cúmplice, e que às vezes não está muito longe da cena do crime.

Por exemplo: independentemente do sexo, a maioria dos prisioneiros violentos possuem níveis mais altos de testosterona que seus pares mais dóceis. No entanto, cientistas discutem se essa violência não seria apenas uma manifestação de um desejo muito mais biológica e reprodutivamente saliente por domínio.

“Já foi sugerido que os comportamentos anti-sociais relacionados a níveis altos de testosterona seriam uma maneira de manter a dominância nesses grupos”, conta Robert Josephs, da University of Texas em Austin. Em outras palavras, se os pesquisadores estudassem outros tipos de pessoas, como os ricos e famosos, por exemplo, poderiam descobrir que a testosterona não está ligada à violência, mas ao fato de quem dirige o carro mais bacana ou tem o gramado mais bonito. Como Josephs disse, “Talvez atacar o vizinho com uma pá funcione na penitenciária, mas não contribuiria para seu status em um bairro de ricos”.
O psicólogo James Dabbs, da Georgia State University em Atlanta, construiu sua carreira conduzindo estudos que relacionavam a testosterona a qualquer tipo de estilo de vida imaginável. Em seu livro Heroes, Rogues and Lovers, ele ressalta que atletas, atores, operários e presidiários tendem a apresentar níveis mais altos do hormônio que balconistas, intelectuais e administradores.

Porém, Dabbs não revela se esta correlação foi a causa ou um efeito do ambiente em que esses homens estão inseridos. Assim se chega a um impasse: homens com níveis altos de testosterona têm uma probabilidade maior de se tornarem criminosos violentos, ou ser um criminoso violento aumenta os níveis de testosterona em um homem?

Ninguém sabe a resposta ao certo, mas um número cada vez maior de evidências sugere que a testosterona seria mais um resultado da violência que sua causa. Na verdade, tanto ganhar um jogo de futebol quanto uma partida de xadrez podem elevar os níveis desse hormônio. (Por outro lado, perder um jogo de futebol, ficar mais velho e se tornar obeso reduzem esses níveis).

Para Peter Gray, da University of Nevada em Las Vegas – cujo trabalho revela que o casamento e a paternidade diminuem os níveis de testosterona –, “Há evidências em humanos de que, assim como nos animais, esse hormônio é responsável pela competição entre machos”.
Em um experimento sobre diferenças biológicas entre habitantes do Norte e do Sul dos Estados Unidos, um dos voluntários dos pesquisadores da University of Michigan em Ann Arbor “acidentalmente” tropeçou em outros participantes e insultou tanto os homens criados no Sul quanto no Norte do país. Os cientistas resolveram levar em conta o fato de os homens do Sul serem criados em uma “cultura de honra”, em que respostas agressivas a xingamentos são culturalmente apropriadas, e os resultados revelaram que os eles não eram só mais propensos a responder com agressividade que os homens do Norte, mas seus níveis de testosterona também subiam como resultado disso. Por outro lado, os homens do Norte eram menos propensos a apresentar uma elevação nos níveis desse hormônio.

“Pelo o que podemos dizer até agora, a testosterona é gerada para preparar o organismo para responder a competição e/ou desafios à situação de alguém”, observa McAndrew. “Qualquer estímulo ou evento que sinaliza uma dessas coisas pode desencadear uma elevação nos níveis do hormônio”.

Isso faz sentido – a curto prazo, a testosterona ajuda tanto homens quanto mulheres a se tornarem maiores, mais fortes e energéticos, características úteis para se vencer uma competição física ou mental. O hormônio também é responsável pela libido em ambos os sexos, e se pesquisadores como Josephs estiverem corretos, instiga nosso desejo por domínio social, uma das maneiras pelas quais os humanos decidem quem pode “acasalar” com quem.

Discutivelmente, a fraca correlação entre testosterona e violência nos dá uma razão para nos tornarmos otimistas em relação à raça humana: enquanto os animais guerreiam por parceiros como resultado das alterações sazonais de testosterona e outros hormônios, os humanos descobriram outras maneiras de estabelecer suas relações. Isso não quer dizer que não possamos nos adaptar rapidamente às manifestações modernas de nosso passado violento: a pesquisa de McAndrews demonstrou que uma maneira garantida de elevar os níveis de testosterona de um homem é colocar uma arma em sua mão.
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Escrito por César Garcia às 19h30
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Não é ficção

Há 14 dias não publico nada aqui. Fui ao sepultamento de um jovem (31 anos) brilhante funcionário do Banco Central em Brasília. Sentiu dor de cabeça, foi internado, fez exames e faleceu sem diagnóstico. A Medicina também tem limites, lembram de Tancredo Neves? Para viver setenta anos, quantas vezes passei, sem perceber, por perto da misteriosa dama? "Para nascer uma pessoa, duas são necessárias; para morrer, basta uma." Salvo engano, está em PRIMEIRO AMOR, de Samuel Beckett. Inês, personagem de A CAMINHO DAS ÍNDIAS, pergunta: "qual é o rap?" Respondo: tem sido a morte. Queda de avião, atentado suicida, bombardeio, latrocínio, acidente de tráfego, guerra tribal, quadrilhas de traficantes. Vamos voltar para a ficção.



Escrito por César Garcia às 23h47
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Escada e Nova Iorque

Em 1870, o sergipano Tobias Barreto fundou no município de Escada (PE) um jornal todo escrito  em Alemão, o Deutscher Kampfer (O Lutador Alemão). Dizem as más línguas que só ele mesmo lia.

Nova Iorque não ficou atrás. Na mesma época, naquela cidade, o maranhense Joaquim de Sousândrade editou O NOVO MUNDO, jornal em Português, com a vantagem de ser lido por alguns brasucas que já arriscavam a vida por lá.



Escrito por César Garcia às 12h42
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O INFERNO

Dia 10 (quarta-feira) encerraram-se as atividades da Oficina de Criação Literária Clarice Lispector, organizada pela escritora Lourdes Rodrigues. Foi concluída a leitura do Inferno de Dante, com muito proveito. A confraternização ocorreu no restaurante VERDICCHIO, em Parnamirim. No próximo ano será lida a obra FAUSTO, de GOETHE.



Escrito por César Garcia às 15h28
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Pequeno conto moderno

PARA SEMPRE

 

 

 

            Alvo. Assim se dizia das pessoas de pele branca. Dorian, 12 anos, era alvo e tinha cabelos louros, lisos e repartidos do lado direito, caindo sobre a testa. Boa estatura para a idade, mais para gordo do que para magro. Rosto retangular e olhos castanhos, quase fechados, ria com facilidade, inclinando a cabeça para a esquerda. Na primeira série do que se chamava o ginásio, foi matriculado no colégio dos padres, só para meninos e rapazes. No primeiro dia de aula, os mais espertos notaram. Pelo andar e pela fala, não deixava dúvida. O comentário circulou e na segunda semana todos os alunos já sabiam e prestavam atenção. Começaram as piadas, as imitações jocosas. Não parecia ligar nem se isolava. Aproximava-se de todos os grupos e participava dos jogos e brincadeiras, sempre com seu modo feminino, sem se intimidar diante dos risos, piadas e assovios. Um dia, no recreio, cercaram Dorian e mandaram que ele arriasse a calça. Recusou-se com a frase: ao menos se estivesse duro! Ainda tentaram, mas reagiu e o grupo desfez-se. O padre responsável pela turma gostava dele e às vezes o protegia contra as agressões. Castigava os que exageravam na brincadeira. Ao final do semestre, o caso tinha sido de certo modo assimilado. As piadas continuavam, mas não faziam o mesmo efeito. Dorian impusera-se e ninguém tinha mais prazer em agredi-lo. Dava-se bem com todos, emprestava lápis, borracha, régua – tinha tudo – e ajudava os mais fracos nas tarefas. No início de uma aula, o padre mandou que cada um escrevesse em meia folha de caderno os nomes dos três melhores amigos. Dorian foi o campeão. Estava em quase todas as listas.

            Dos sessenta alunos, apenas um não mofava, não troçava, não tirava onda – como se diz agora. Era Guilherme, um pouco mais baixo, moreno, cabelo liso e preto. Quase não falava. Embora reservado, cortês; e não incomodava ninguém. No ano seguinte, notou-se a aproximação dos dois. Diante da primeira manifestação hostil da parte de Leonardo, o mais agressivo e cruel dos meninos, Guilherme partiu a cara do adversário em luta que durou metade do recreio. Ninguém sabia de suas habilidades combativas cultivadas em academia de jiu-jítsu. Os dois foram suspensos por uma semana. Na volta às aulas, foram chamados à diretoria onde ouviram do padre diretor uma longa advertência e uma ordem para que pedissem desculpas mútuas. Fez efeito. Agora, não somente Dorian, mas a dupla se impusera. Sentavam-se lado a lado e andavam juntos no recreio. Uma ou outra pilhéria dos mais renitentes já não os ofendia, e até deixava o autor sem graça. O problema agora era com os padres. Primeiro, foram separados na sala de aula; no ano seguinte, em turmas diferentes. Soube-se que o diretor conversou inutilmente com os pais dos dois, que se sentiram ofendidos e ameaçaram tirar os filhos do colégio.

            Até o fim do curso científico – assim se chamava – a dupla manteve-se unida. Sete anos de convivência, amizade e aprendizado. Ouviam as conversas sobre namoro e primeiras conquistas apenas sorrindo, até com certo ar de superioridade. Ao deixarem o colégio, ingressaram no curso de Direito. Os demais colegas dispersaram-se, tomando cada um seu rumo na vida.

            Cinqüenta anos depois, o maior jornal da cidade noticiou:

 

Beneficiados pela nova lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, Dorian Mendes e Guilherme Barreto, ambos com 68 anos, celebram e oficializam sua união hoje às dezesseis horas no fórum.”

 

            Comprei flores e dirigi-me ao local. Após a cerimônia, ambos de terno branco, recebiam os cumprimentos alegres de seus amigos e amigas, todos desconhecidos para mim. Aproximei-me em silêncio e postei-me diante deles. Dorian de cabelos brancos e Guilherme inteiramente calvo. Fitamo-nos por alguns segundos. Terminaram me reconhecendo sem que eu falasse, e gritaram meu nome ao mesmo tempo. Permanecemos abraçados longos minutos e receberam as flores sob os olhares curiosos e mesmo ciumentos dos amigos em volta.

            Participei da festa colorida até o fim e fiquei mais duas horas ouvindo a história dos dois e contando a minha entre risos e até algumas lágrimas por colegas que tinham morrido e por dramas e tragédias que atingiram alguns deles.

            Despedimo-nos trocando números de telefone e endereços eletrônicos.



Escrito por César Garcia às 13h32
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Oficina

Na Oficina de Criação Literária Clarice Lispector coordenada por Lourdes Rodrigues, da qual faço parte, teve início hoje a leitura da Comédia, como a intitulou Dante Alighieri. A escolha de uma das traduções já deu trabalho para toda uma tarde. Venceu a de Ítalo Eugênio Mauro, publicada pela Editora 34 que traz os versos em Português e em Italiano. Desperta maior interesse o primeiro volume - O Inferno. Todo mundo diz que o Purgatório e o Céu não têm muita graça.



Escrito por César Garcia às 22h58
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